
Quando ele foi embora, eu entrei em choque, não me lembro bem daquele dia.. só me lembro da dor aguda que havia em minha alma. Eu poderia jurar que a dor era física, embora nada atingisse o meu físico. Me lembro de estar deitada na cama quando ele me disse “Filha, estou indo..”. A culpa era minha. Sempre era culpa minha. Ele estava indo por minha causa. Ele disse que me amava, então porque não ficou?! Depois que ele partiu, ele vivia pedindo para que eu fosse morar com ele. Não que eu não quisese, eu gostava do meu pai. Mas eu tinha minha vida pra viver. E essa sempre foi uma decisão tomada. Me lembro que naquele dia prometi que só ia me casar com quem eu tivesse certeza que nunca me abandonaria. Nunca fosse embora. Como se eu tivesse o total controle das decisões alheias. Mal sabia eu. Quando ele foi embora, eu não estava em choque, eu me lembro bem daquele momento.. foi como se ele estivesse se repetindo.. doía da mesma forma.. Eu estava deitava na cama quando ele segurou bem as malas e me disse “Lay, estou indo..” e então só consegui assimilar algumas outras palavras que ele me dizia, porque a sensação de viver isso de novo era maior que um dejavu. Era só a mesma cena se repetindo com pessoas diferentes.. escutei palavras como… “a chave.. soubesse.. namorando.. te amo.. tchau..” . A culpa era minha. Sempre era culpa minha. Por mais razão que eu tivesse. Por mais certa que eu estivesse. Eu estava sozinha de novo. Foi então que eu me rendi, e liguei para o meu pai. E chorando disse “Pai, vem me buscar, eu quero ir morar com você!” … Ele ouviu o meu desespero e com voz acolhedora e com um amor singular me disse: “Calma, respira, o que esta acontecendo, minha filha?”